Ficar sem comer emagrece? Será que esse pensamento da certo?

Ficar sem comer emagrece?

Dieta paleolítica ou jejum prolongado fazem bem? Três endocrinologistas apontam os malefícios dessas práticas no combate aos quilos extras

Ficar sem comer durante 24 horas ou mais, definitivamente, não é uma solução eficaz para a perda de peso. Quem garante são os endrocrinologistas João Cesar Castro Alves, da Unifesp, Marcio Mancini, chefe do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo, e Cintia Cercato, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia . “Jejuar, a curto prazo, pode até contribuir para o emagrecimento. O problema é que a pessoa acaba compensando comendo muito no dia seguinte”, explica João Cesar. Efeito sanfona!

Atrelado a esse aumento da ansiedade está a desaceleração do metabolismo, que contribui também para o ganho de peso. Segundo Marcio Macini, “a dieta de zero caloria faz com que os hormônios ghrelina e o neuropeptídeo Y, que aumentam a fome, fiquem ativados ao máximo; enquanto os peptídeos – leptina e a melanocortina -, que reduzem o apetite e estimulam o metabolismo, acabam ficando inibidos. Se a pessoa nessas condições for convidada para um buffet livre, por exemplo, vai armazenar 100% das calorias do couvert à sobremesa”.

Mas saiba que a predisposição à recuperação dos quilos perdidos é apenas um dos prejuízos. A não ingestão de alimentos por tempo prolongado causa ainda diversos problemas à saúde: irritabilidade, dor de cabeça, tendência à hipoglicemia, mau hálito, queda de pressão arterial, aumento de ácido úrico, perda de potássio, desidratação, danos à memória, sobrecarga do rim e perda de massa muscular. Uma lista nada pequena de infortúnios.

Ficar sem comer emagrece? Será que esse pensamento da certo?

Ficar sem comer emagrece? Será que esse pensamento da certo?

É por esta razão que os três especialistas são categóricos ao afirmar que, quando o objetivo é perder os quilinhos a mais, o aconselhado é não se privar da alimentação. “O corpo necessita diariamente de, no mínimo, 50g de carboidrato e 50g de proteínas, que equivalem a 400 calorias”, conta Cintia. Por isso, o ideal é manter uma dieta balanceada e fracionada, com refeições a cada três horas. Assim é possível evitar o consumo exagerado no almoço ou jantar.

Redução não é privação

De acordo com a Dra. Cintia, se a ideia é acelerar o emagrecimento, o ideal é apostar, sempre sob orientação médica, em um “balanço negativo”: “trabalhos científicos comprovam que intercalar ao longo da semana uma dieta de baixa caloria – cerca de 500 – com uma de 1500, como se faz em um spa, não faz mal e ajuda a acelerar o metabolismo?, explica.

“Ficar um dia à base de líquidos pouco calóricos, porém nutritivos, também pode ajudar quando se está em um período de platô, em que o peso está estabilizado”, conta o Dr. João Cesar. Entretanto, esse choque no organismo, conhecido como detox, deve ser feito, no máximo, uma vez na semana.

Diante de tantas matérias abordando os benefícios emagrecedores do jejum e da dieta paleolítica, fica aqui o esclarecimento de que as dietas malucas podem, sim, causar muitos danos à sua saúde e nem ao menos ajudarem na conquista do resultado desejado.

Fonte: MdeMulher

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